Giulia Medeiros

Giulia Medeiros

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abordagem sociológica da construção de gênero e sexualidade

O tema abordado tem como base uma perspectiva social da construção de gênero e sexualidade em meio ao mundo contemporâneo.

 

Sobre a palestra

A partir de uma perspectiva social da construção de gênero e sexualidade em meio ao mundo contemporâneo, as reflexões discutidas durante a aula, tem como objetivo conceituar as premissas básicas do que vem a ser a identidade de gênero. Diferenciando de conceitos advindos do determinismo biológico e, propondo uma análise a respeito da influência das diversas instituições existentes na produção de uma “cartilha de condutas”, a qual determina papéis e lugares a serem ocupados no engendramento sistêmico e estrutural da sociedade atual. Também é abordado dados que apontam para o crescimento do potencial de consumo da população LGBTQIA+, e com isso a reflexão acerca da importância da representatividade desses sujeitos nas mídias visuais, como forma de dar visibilidade para essas narrativas historicamente subalternizadas pelo pensamento dominante.

Compreendendo que uma das características da sociologia é justamente estudar como as múltiplas estruturas existentes interferem na construção subjetiva da identidade de cada sujeito. É analisado historicamente como o processo colonizador impôs não somente um modelo econômico a ser seguido mas também, um modelo simbólico e cultural que inclui o homem-branco-heteronormativo e rico como topo da pirâmide social, ocupando os espaços de poder e munindo de todas as ferramentas para manter a desigualdade social e cultural que os beneficiam. No livro Cinema Pós Coloniais e periféricos, há uma introdução sobre o colonialismo e suas formas de dominação e, as possibilidades de romper com esse paradigma:

“A ideia de que, para romper com a estrutura da modernidade/colonialidade, é necessária uma ruptura ampla com os mecanismos de uma sociedade patriarcal, orientada para o casamento heterossexual e de matriz moral conservadora católica provoca, no campo da cultura e das artes, uma irrupção de novas vozes na décadas subsequente e traz novas frentes de atuação do pensamento pós-colonial, em consonância com o movimento LGBT, os estudos queer e a quarta onda do feminismo internacional.” (SALES, CUNHA, LEROUX, 2019)

Consequentemente, tudo que se diferencia dessa identidade dominante, torna-se subalterno. Não se trata do indivíduo, apenas. Mas também do modelo que estrutura o mundo que vivemos, as ferramentas que produzem nossos valores, crenças, costumes, modos de se organizar, etc. que privilegiam a ideologia eurocêntrica da vida e subjugam as demais culturas. Sejam os imigrantes, as mulheres, as negras e negros, LGBTQIA+  indígenas, camponeses, desempregados. A sociedade e sua diversidade é esvaziada para ser preenchida com um pensamento único. A religião oficial, a cor mais bonita, o gênero mais aceito, o corpo certo para aproveitar o verão. Não à toa os movimentos sociais ocuparam um importante espaço nas últimas décadas, como o “black lives matters” no ano de 2020 nos EUA, após o assassinato do homem negro por um policial branco.

Com isso, é apontado um conceito significativo para as teorias de gênero na atualidade, que é a interseccionalidade. Esta propõe uma análise de que cada opressão é específica mas também está inter-relacionada com outras estruturas de opressão, por exemplo, a mulher branca cis e rica, sofre o machismo mas ainda se enquadra dentro de algumas categorias dominantes por seguir ao padrão da normatividade econômica e subjetiva por ser rica, branca e cis. Já a mulher trans negra, lésbica e periférica sofre a opressão racista, lgbtfóbica e classista por ter mais características que escapem ao padrão dominante.

“A interseccionalidade sustenta que as conceituações clássicas de opressão dentro da sociedade — tais como o racismo, o sexismo, o classismo, capacitismo, xenofobia, bifobia, homofobia e a transfobia e intolerâncias baseadas em crenças — não age independentemente uns dos outros mas que essas formas de opressão se inter-relacionam, criando um sistema de opressão que reflete o “cruzamento” de múltiplas formas de discriminação.” (Wikipédia; acessado 9-agosto-2020)

Por fim, foi abordado o papel da mídia e dos meios de comunicação de massa, os quais passaram a incluir as diversas identidades existentes como protagonistas nas peças publicitárias dos produtos e serviços das grandes marcas. Com a máxima de que “representatividade importa!” É possível perceber que a estratégia de ocupar espaços nos dispositivos midiáticos, serve também para que outras narrativas sejam ouvidas e vistas. Com isso, é possível alcançar milhares de pessoas e, provocar até mesmo em nós, um estranhamento, uma ruptura com os valores opressores que foram construídos dentro da gente.

É válido ressaltar que foi por meio da luta dos movimentos sociais que esta população foi ganhando espaço no mercado de trabalho e no poder. Tal feito serviu para que o mercado percebesse o grande potencial de consumo do público LGBTQIA+ e quisesse conquistar esses avatares para fins lucrativos. É nítido que os interesses econômicos são a prioridade de uma empresa e, a responsabilidade social se mostra ainda mais eficaz no engajamento do público, o que a torna fundamental na estratégia de adesão e venda de produtos e serviços.

O questionamento que fica é: De que forma o movimento do Pink Money vai incluir e retratar a população LGBTQIA+ em suas estratégias de comunicação? Fica evidente a necessidade de buscar informações para não reproduzir estereótipos que discriminem e reforcem ainda mais o lugar de subalternidade desses grupos “minoritários” e sim que exaltem a potência de suas subjetividades e contribuam de forma positiva para as suas respectivas causas.